Abinee TEC: Pronunciamento Humberto Barbato

19/07/2021

Senhoras e senhores, bom dia!

Sejam todos bem-vindos à abertura do Abinee TEC 2021 Digital Week, evento que compreende Fórum e painéis e que realizamos em parceria com a Reed Exhibitions.

De hoje até sexta-feira, temas de grande relevância para o setor eletroeletrônico e para o país serão discutidos nesse evento, que contará com a participação de especialistas, de representantes do Executivo e do Legislativo, da indústria, de universidades e de institutos de pesquisa.

A revolução digital que o mundo está vivenciando nos últimos anos se espalha por diversos segmentos econômicos, provocando uma profunda transformação nos negócios, na disponibilidade de serviços e nas formas de consumo. Por seu potencial inovador, a indústria elétrica e eletrônica está habilitada a dar sua contribuição em temas de grande impacto na sociedade como a eletromobilidade, cibersegurança, cidades inteligentes e sustentabilidade.

Desde o início da pandemia, o setor eletroeletrônico tem dado sucessivas demonstrações da nossa força, resiliência e espírito criativo. Esse cenário também reforçou a importância das indústrias no desenvolvimento de soluções tecnológicas que contribuíram em muito para outros segmentos continuarem sua atividade, englobando da medicina, ao teletrabalho e ao ensino à distância.

Além do destaque dos equipamentos de informática que tiveram grande demanda a partir da pandemia, também têm papel importante os produtos e soluções de automação e digitalização. Em 2020, diversos projetos de pequenos e grande portes foram desengavetados. Podemos dizer que avançamos cerca de cinco ou dez anos em processos de automação desde o início da pandemia.

E não bastasse todo o esforço que a pandemia demandou, estamos enfrentando uma nova situação: a pior crise hídrica dos últimos 91 anos, que exigirá, novamente, do setor eletroeletrônico sua capacidade criativa e de inovação para evitar que tal crise se transforme em um problema para o abastecimento de eletricidade.

O Brasil pode contar com nossa indústria para apresentar soluções efetivas e modernas com o objetivo de vencer mais este desafio.

A Abinee tem mantido contato com o Ministério de Minas e Energia e tem apresentado propostas variadas, como a implementação massiva da tarifa branca, graças aos medidores inteligentes desenvolvidos no país; o armazenamento de eletricidade em baterias para suprir horários de ponta e tornar as fontes intermitentes despacháveis e, por fim, ações de eficiência energética como a troca de motores elétricos por mais eficientes.

Enfim, nossa indústria mais uma vez colaborará decisivamente para o desenvolvimento do País.

Entretanto, para que as empresas possam continuar a exercer todo seu potencial, é preciso que tenhamos um cenário propício para o desenvolvimento tecnológico.

No início desse ano, tivemos a publicação do edital de 5G pela Anatel, que contou com decisiva contribuição da Abinee e que representa uma oportunidade extraordinária. Os leilões de frequências previstos colocarão em marcha uma série de investimentos, propiciando um novo cenário de negócios e soluções em Internet das Coisas, Indústria 4.0, Inteligência Artificial entre outros.

A iniciativa traz características que atendem aos anseios das empresas do setor, com expectativa de grande volume de investimentos, colocando o Brasil efetivamente no mapa da utilização da quinta geração de tecnologia móvel.

Este edital contempla a concessão da maior quantidade de espectro de radiofrequências já realizado pela Anatel em um leilão único e um dos maiores do mundo, o que é muito positivo para a sociedade brasileira. Além disso, também é positiva a definição de que o certame será de caráter não-arrecadatório, condição essa amplamente defendida pela Abinee, possibilitando aumento dos investimentos.

O firme apoio que o Ministério das Comunicações está dando ao processo deverá assegurar que os trâmites legais ocorram no menor prazo possível e que finalmente o leilão possa realmente ser realizado no segundo semestre deste ano.

Também tivemos esse ano a efetivação da nova Lei de TICs, que tem se provado na prática ser o instrumento que sempre se propôs de alavancar a indústria de base tecnológica no País. Nesse ponto, ressaltamos a intensa interlocução com o MCTI para promoção dos ajustes e adequações operacionais para que as empresas possam usufruir deste importante instrumento. O nosso objetivo agora é sensibilizar o Congresso Nacional para que Câmara e o Senado aprovem a PEC 10/2021 o mais rápido possível, pois só assim o setor terá segurança para poder continuar fazendo seus investimentos, o que levará ao crescimento econômico da indústria e do Brasil.

Meu amigos,

Ao mesmo tempo, temos um grande desafio de ordem conjuntural a ser solucionado, que é a diminuição dos impactos do custo Brasil na produção como forma de permitir a contínua modernização e abertura da economia, sem impactos aos investimentos já realizados.

Nos últimos meses, o setor industrial, por meio da Coalizão Indústria e da CNI, tem intensificado o diálogo com o governo, em reuniões periódicas com o ministro da Economia, Paulo Guedes, com o Secretário Carlos da Costa e sua equipe. Na pauta desses encontros estão o encaminhamento de medidas para redução do Custo Brasil, o processo de abertura comercial e o andamento das negociações de acordos bilaterais de comércio.

Embora a Abinee venha destacando nessas reuniões fatores importantes e que antecedem a abertura comercial, infelizmente os bens de capital e os bens de informática e de telecomunicações, nos quais se enquadram nossas associadas, foram os primeiros a terem a redução de tarifas de importação.

Em todas as nossas manifestações temos vocalizado a necessidade de que essa medida deva se estender também aos insumos utilizados por essa indústria e de que seja acompanhada de efetiva diminuição nos custos de produção, sob pena de desta feita, diferente de outros tempos, ao invés de escolhermos vencedores, estamos elegendo perdedores!

Recentemente, temos visto movimentações de países desenvolvidos, como os EUA, no sentido de fortalecer suas cadeias produtivas. O Brasil deve se mirar nesses exemplos, aproveitando o seu rico parque industrial, que, apesar de toda sua competência, infelizmente tem perdido sua participação no PIB Nacional.

Estudo realizado pela CNI, destaca que o grau de diversificação da Indústria de Transformação brasileira é maior que o da média dos países-membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ao mesmo tempo, a Indústria de Transformação tem um elevado poder de puxar o crescimento. A cada R$ 1,00 de valor adicionado na Indústria de Transformação é gerado um crescimento adicional no PIB do País de R$ 1,67, totalizando um aumento do PIB de R$ 2,678.

Apesar dessa estrutura robusta, há anos as indústrias instaladas no País convivem com  fatores que compõem o Custo Brasil e que inibem a competitividade das empresas em relação a outros países. Segundo dados do Movimento Brasil Competitivo, o valor que as empresas do Brasil gastam a mais que os países da OCDE todos os anos por conta de problemas internos chega a R$ 1,5 trilhão ou 22% do PIB do País.

Como resultado disso, a indústria de transformação brasileira encolheu 1,6% ao ano, em média, nos últimos 10 anos, e sua participação na economia caiu de 15% em 2010 para pouco mais de 11% em 2020. Ainda de acordo com a CNI, os problemas de baixa competitividade enfrentados pela indústria afetam, em especial, setores que produzem bens mais sofisticados. Em uma década, as empresas de produtos de alta e média tecnologia, como itens de informática e veículos, tiveram sua participação no setor industrial reduzida de 23,8% para 18,7%.

Diante da gravidade e urgência desse tema, o Congresso Nacional lançou, em junho, a Frente Parlamentar Pelo Brasil Competitivo (FPBC), composta por mais de 200 parlamentares, entre senadores e deputados, o grupo vai trabalhar em iniciativas para reduzir o Custo Brasil. Entre as prioridades, estão as reformas tributária e administrativa. Na pauta entram ainda temas como qualificação profissional, segurança jurídica e infraestrutura.

Por suas dimensões e complexidade da sociedade, o Brasil não pode se dar ao luxo de se limitar as tais vantagens comparativas, focando apenas no agronegócio e abrindo mão de sua indústria. O próprio desenvolvimento desse segmento é fruto da inserção de tecnologia, equipamentos e soluções desenvolvidos e fabricados pela indústria.

Dessa forma, a retomada do crescimento da indústria e, consequentemente, da economia brasileira como um todo passa pela intensificação das políticas de redução do custo Brasil e por políticas direcionadas à inovação, em especial, aos setores que produzem bens de maior valor agregado.

Confiamos que estamos no caminho, e estou seguro que com o diálogo que estamos mantendo com o Governo como um todo, a médio prazo assistiremos uma reindustrialização, tão necessária para o nosso crescimento e geração de empregos de qualidade.

Muito obrigado!